{"id":502,"date":"2024-07-04T16:33:51","date_gmt":"2024-07-04T16:33:51","guid":{"rendered":"https:\/\/julianabelodiniz.com.br\/blog\/?p=502"},"modified":"2024-07-04T16:35:56","modified_gmt":"2024-07-04T16:35:56","slug":"o-mito-do-cerebro-autista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/julianabelodiniz.com.br\/blog\/index.php\/2024\/07\/04\/o-mito-do-cerebro-autista\/","title":{"rendered":"O mito do c\u00e9rebro autista"},"content":{"rendered":"\n<p>Machado, como sempre, estava certo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu livro <em>O Alienista<\/em>, Machado de Assis conta a hist\u00f3ria do doutor Sim\u00e3o Bacamarte, m\u00e9dico e cientista formado na Europa que resolve se assentar na pequena cidade de Itagua\u00ed, apesar de ter in\u00fameras possibilidades de voltar para Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>A caracter\u00edstica mais marcante do doutor \u00e9 que ele \u00e9 um \u201chumilde homem da ci\u00eancia\u201d, sem qualquer outro interesse que n\u00e3o o ac\u00famulo de conhecimento e o cuidado dos doentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto que tendo seu pedido de se estabelecer na pequena Itagua\u00ed concedido, Sim\u00e3o Bacamarte, imbu\u00eddo do mais profundo desejo de estudar a alma humana, cria a Casa Verde, um asilo para abrigar todos os loucos da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, com a expans\u00e3o de suas teorias sobre a loucura, n\u00e3o tarda para que a Casa Verde vire uma povoa\u00e7\u00e3o, tamanho o n\u00famero daqueles que Bacamarte considerava lun\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Surge ent\u00e3o uma rebeli\u00e3o para conter os rompantes cient\u00edficos do eminente doutor.&nbsp; E depois de reviravoltas rocambolescas, Sim\u00e3o Bacamarte termina por libertar todos aqueles encarcerados na Casa Verde &#8211; e passa ele mesmo a habitar o local.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa obra, Machado de Assis parece ter previsto que nossos furores cientificistas nos fariam intolerantes \u00e0s dores da alma. Grande conhecedor da nossa arrog\u00e2ncia cient\u00edfica, Machado usou a ironia e o humor para descrever um cen\u00e1rio que hoje sabemos ser muito real.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos n\u00f3s que estamos habitando a Casa Verde, cercados de loucuras que enxergamos nas pequenas diferen\u00e7as. \u00a0Pequenas diferen\u00e7as essas que, dizem, s\u00f3 podem ser autistas e cerebrais. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Cada vez mais autistas?&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Carregar os tra\u00e7os autistas n\u00e3o \u00e9 igual a ter o diagn\u00f3stico de autismo. \u00c9 poss\u00edvel ser autista, mas nunca ser reconhecido como tal, assim como \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o ser autista e receber o diagn\u00f3stico como se fosse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a diferen\u00e7a entre ter os sintomas e receber o diagn\u00f3stico, a pergunta se de fato h\u00e1 um aumento concreto na propor\u00e7\u00e3o de pessoas com tra\u00e7os autistas tem gerado respostas contradit\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas respostas dividem os pesquisadores da \u00e1rea entre aqueles que acreditam que houve um aumento concreto na propor\u00e7\u00e3o de pessoas com autismo e aqueles que atribuem o aumento no diagn\u00f3stico de autismo n\u00e3o a um aumento da propor\u00e7\u00e3o de pessoas com autismo, mas sim a uma mudan\u00e7a de cultura em rela\u00e7\u00e3o a forma como se faz o diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve, de fato uma maior aten\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade para reconhecer esse diagn\u00f3stico. O que significa que, pelo menos parte, o aumento na frequ\u00eancia de diagn\u00f3sticos de autismo nada tem a ver com um aumento na frequ\u00eancia dos tra\u00e7os autistas na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, definir se apenas as mudan\u00e7as na aten\u00e7\u00e3o para o diagn\u00f3stico justificam todo o aumento observado nos diagn\u00f3sticos de autismo ainda \u00e9 um motivo de disputa<sup>1<\/sup>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que aflige hoje alguns psiquiatras, no entanto, n\u00e3o \u00e9 o aumento registrado de diagn\u00f3sticos oficiais de transtornos do espectro autista, que mesmo nas estimativas mais extremas n\u00e3o chegaria nem a 5% da popula\u00e7\u00e3o<sup>2<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 aflitivo \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o, por for\u00e7a do que circula nas redes sociais, de uma dezena de queixas diferentes, que muitas vezes fazem parte da condi\u00e7\u00e3o humana, em sinais de transtornos do espectro autista.<\/p>\n\n\n\n<p>O autismo em si \u00e9 uma doen\u00e7a grave, caracterizada por sintomas com os quais n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil se identificar: aus\u00eancia ou dificuldades de desenvolver linguagem verbal, aus\u00eancia de contato visual, comportamentos repetitivos e estereotipados, desinteresse por intera\u00e7\u00f5es sociais, restri\u00e7\u00f5es alimentares (comer alimentos s\u00f3 de uma cor, ou s\u00f3 de uma textura ou s\u00f3 de um tipo), intoler\u00e2ncia absoluta a est\u00edmulos como barulhos e cheiros, rea\u00e7\u00f5es emocionais graves frente \u00e0s mudan\u00e7as na rotina, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, ao trabalhar com a ideia de espectro, ou seja, de um gradiente de gravidade, que pode incluir manifesta\u00e7\u00f5es de qualquer natureza ou intensidade, desde que relacionadas \u00e0s quest\u00f5es sociais e de linguagem, a lista de sintomas virou uma lista de viv\u00eancias comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essa amplia\u00e7\u00e3o, dificuldades de desenvolver linguagem verbal vira escolher palavras dif\u00edceis, desinteresse por situa\u00e7\u00f5es sociais vira baixa energia social, dificuldade de socializa\u00e7\u00e3o passa a ser equivalente \u00e0 timidez, n\u00e3o entender ironias vira n\u00e3o saber se as pessoas est\u00e3o falando s\u00e9rio, e por a\u00ed vai. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de incluir viv\u00eancias comuns, com o espectro autista, sintomas emocionais que antes eram classificados em diferentes transtornos agora podem ser explicados como formas de autismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas redes, transtornos com os quais trabalhamos nas \u00faltimas d\u00e9cadas &#8211; ansiedade social, transtorno obsessivo compulsivo e transtornos da personalidade &#8211; foram todos convertidos em um grande grupo, que acomoda pessoas com qualquer manifesta\u00e7\u00e3o em qualquer patamar de gravidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que a forma como fazemos os diagn\u00f3sticos de transtornos psiqui\u00e1tricos est\u00e1 sempre sujeita a transforma\u00e7\u00f5es. Ainda vamos viver muitas reorganiza\u00e7\u00f5es de diagn\u00f3sticos psiqui\u00e1tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o que \u00e9 surpreendente no uso atual da denomina\u00e7\u00e3o \u201cespectro autista\u201d nas redes sociais \u00e9 que ela se expandiu de uma forma t\u00e3o ampla que algumas vezes chega a obscurecer qualquer outra possibilidade de diagn\u00f3stico ou explica\u00e7\u00e3o para viv\u00eancias emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p>E na esteira da explica\u00e7\u00e3o de ser portador do espectro autista, j\u00e1 vem embutida a explica\u00e7\u00e3o da causa do transtorno: o c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>A culpa \u00e9 do c\u00e9rebro?<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grandes incentivadores da amplia\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico de transtornos do espectro autista \u00e9 o movimento conhecido como neurodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo \u201cneurodiversidade\u201d foi cunhado pela soci\u00f3loga australiana Judy Singer em 1999 <sup>2<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Singer queria com esse termo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Combater a posi\u00e7\u00e3o de psicanalistas que culpabilizavam a fam\u00edlia pelos sintomas das pessoas com autismo<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Questionar a autoridade m\u00e9dica como fonte de informa\u00e7\u00e3o, defini\u00e7\u00e3o da normalidade e da necessidade de tratamento<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Favorecer o crescimento de movimentos pol\u00edticos de deficientes pr\u00f3 autodefesa e auto-advocacia<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que Singer estivesse muito bem-intencionada na sua abordagem, suas escolhas n\u00e3o foram inocentes. A escolha do prefixo \u201cneuro\u201d para dar nome ao movimento neurodiversidade, por exemplo, foi uma decis\u00e3o pol\u00edtica deliberada.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201cneuro\u201d do neurodiversidade faz parecer que existem evid\u00eancias cerebrais\/neurol\u00f3gicas que justifiquem o movimento.&nbsp; S\u00f3 que o movimento neurodiversidade n\u00e3o tem nenhuma base em achados cerebrais ou neurol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista das neuroci\u00eancias, n\u00e3o h\u00e1 qualquer evid\u00eancia de que pessoas que hoje s\u00e3o classificadas como portadoras de transtornos do espectro autista ou que se autodenominam autistas carreguem semelhan\u00e7as relacionadas ao seu funcionamento cerebral<sup>3<\/sup>, al\u00e9m daquelas, \u00e9 claro, compartilhadas por todos os seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Inclusive as causas do autismo s\u00e3o, em sua maior parte, ainda desconhecidas<sup>4<\/sup><strong>. Nada garante que todas as causas desse autismo expandido sejam, necessariamente, cerebrais<\/strong>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os pr\u00f3prios membros do movimento<sup>5<\/sup>, a escolha do termo \u201cneuro\u201d foi uma forma de n\u00e3o culpabilizar as pessoas com autismo ou as suas fam\u00edlias, seguindo a l\u00f3gica de que se a culpa \u00e9 do c\u00e9rebro, ela n\u00e3o \u00e9 da pessoa. Se s\u00e3o mesmo altera\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro que explicam os sintomas, foi irrelevante para a escolha do prefixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que n\u00e3o seja dif\u00edcil concordar com a irrita\u00e7\u00e3o de Singer com as teorias que culpavam familiares de crian\u00e7as autistas pelo adoecimento, ser\u00e1 que culpar o c\u00e9rebro \u00e9 a melhor ou \u00fanica maneira de evitar essa culpabiliza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, claro que as teorias sobre \u201cm\u00e3es-geladeira\u201d &#8211; teorias psicanal\u00edticas que atribu\u00edam \u00e0 insensibilidade das m\u00e3es as dificuldades sociais dos seus filhos autistas- devem ser extintas. Mas ser\u00e1 que isso significa que as teorias de m\u00e3es-geladeira precisam ser substitu\u00eddas por uma nova mitologia cerebral?<\/p>\n\n\n\n<p>Os desdobramentos de culpar o c\u00e9rebro e entender a humanidade com um conjunto de diversidades cerebrais n\u00e3o s\u00e3o irrelevantes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Recusar a complexidade de intera\u00e7\u00f5es entre cultura, sociedade, psicologia, psiquiatria e ci\u00eancia pode, como j\u00e1 previa Machado, nos colocar a todos como enlouquecidos internos da Casa Verde. Ou, ap\u00f3s reviravoltas rocambolescas, como uma ci\u00eancia encastelada que n\u00e3o mais consegue responder aos interesses da humanidade que a sustenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Citando a fil\u00f3sofa da ci\u00eancia Isabelle Stengers:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cGostaria de tornar poss\u00edvel um riso que n\u00e3o se fa\u00e7a \u00e0 custa dos cientistas, mas que, idealmente, possa com eles ser partilhado.\u201d**<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E, para isso, a ironia machadiana \u00e9 uma \u00f3tima aliada.<\/p>\n\n\n\n<p>Esclarecimentos e caminhos alternativos<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente n\u00e3o precisamos culpabilizar as pessoas pelos seus sintomas emocionais. Por outro lado, tamb\u00e9m n\u00e3o podemos negar que, no caso de muitos sintomas emocionais, as pessoas precisam estar, de alguma forma, implicadas como pessoas e n\u00e3o como c\u00e9rebros divergentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fato que somos muito diversos e que a sociedade pode ser pouco acolhedora \u00e0 essa diversidade. Mas isso n\u00e3o quer dizer que a nossa melhor op\u00e7\u00e3o \u00e9 nos entender como c\u00e9rebros divergentes e n\u00e3o como pessoas que, por muitos motivos cerebrais ou n\u00e3o, podem ser muito diferentes entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o poderia ser mais favor\u00e1vel \u00e0 diversidade e \u00e0s discuss\u00f5es de como melhor acomodar as diferen\u00e7as. Eu s\u00f3 n\u00e3o acho que dizer, por desejo de n\u00e3o culpar inocentes, que essa diversidade \u00e9 cerebral, nos ajude no trabalho de diminuir preconceitos e equalizar oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos, sem d\u00favida, questionar nossos crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o de desempenho ou de reconhecimento de sucesso e apontar os riscos de criar ambientes muito competitivos nos quais a sobreviv\u00eancia s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em caso de sucesso financeiro ou profissional de acordo com um determinado padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos criar mais op\u00e7\u00f5es de vida vi\u00e1veis independente de resultados de desempenho e tornar poss\u00edvel fracassar de acordo com algum referencial e, ainda assim, sobreviver com dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na minha opini\u00e3o, a melhor forma de come\u00e7ar \u00e9 reconhecer que somos pessoas com hist\u00f3rias de vida peculiares, que existem em circunst\u00e2ncias sociais, raciais e biol\u00f3gicas pr\u00f3prias, e n\u00e3o c\u00e9rebros ambulantes sem hist\u00f3ria e sem contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>E um \u00faltimo lembrete: eu, como psiquiatra e neurocientista, n\u00e3o tenho a pretens\u00e3o de representar o pensamento da classe de psiquiatras ou neurocientistas. Estou ciente de que muitos colegas discordam frontalmente das minhas opini\u00f5es, e estou dispon\u00edvel para discutir o tema com todos, independente de concordarem ou discordarem com esse posicionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>** Frase encontrada no livro Pol\u00edticas da Raz\u00e3o, de Isabelle Stengers (Edi\u00e7\u00f5es 70, p\u00e1gina 25).<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Salari N, Rasoulpoor S, Rasoulpoor S, Shohaimi S, Jafarpour S, Abdoli N, Khaledi-Paveh B, Mohammadi M. The global prevalence of autism spectrum disorder: a comprehensive systematic review and meta-analysis. Ital J Pediatr. 2022 Jul 8;48(1):112. doi: 10.1186\/s13052-022-01310-w.\u00a0 <\/em>Esse artigo est\u00e1 dispon\u00edvel na \u00edntegra pelo link: <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC9270782\/\">https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC9270782\/<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/2023\/04\/02\/1-a-cada-36-criancas-tem-autismo-diz-cdc-entenda-por-que-numero-de-casos-aumentou-tanto-nas-ultimas-decadas.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/2023\/04\/02\/1-a-cada-36-criancas-tem-autismo-diz-cdc-entenda-por-que-numero-de-casos-aumentou-tanto-nas-ultimas-decadas.ghtml<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><em>Ortega F. O sujeito cerebral e o movimento da neurodiversidade. Mana [Internet]. 2008Oct;14(2):477\u2013509. <\/em><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0104-93132008000200008\"><em>https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0104-93132008000200008<\/em><\/a> dispon\u00edvel na \u00edntegra pelo link <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/mana\/a\/TYX864xpHchch6CmX3CpxSG\/\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/mana\/a\/TYX864xpHchch6CmX3CpxSG\/#<\/a>)<\/li>\n\n\n\n<li><em>Wang L, Wang B, Wu C, Wang J, Sun M. Autism Spectrum Disorder: Neurodevelopmental Risk Factors, Biological Mechanism, and Precision Therapy.<\/em> Int J Mol Sci. 2023 Jan 17;24(3):1819. doi: 10.3390\/ijms24031819. PMID: 36768153; PMCID: PMC9915249. Esse, infelizmente, s\u00f3 tem o resumo dispon\u00edvel pelos meios gratuitos e legalizados&#8230;<\/li>\n\n\n\n<li>Autistic Community and the Neurodiversity Movement: Stories from the Frontline. Ebook de distribui\u00e7\u00e3o gratuita. \u00c9 poss\u00edvel baixar o ebook em PDF pelo link <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/978-981-13-8437-0\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/978-981-13-8437-0<\/a><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como diria a filosofa da ci\u00eancia Donna Haraway &#8220;A ci\u00eancia \u00e9 o nosso mito&#8221;. Somos capazes de criar narrativas potentes utilizando linguagem cient\u00edfica. Esse uso ret\u00f3rico do discurso cient\u00edfico n\u00e3o \u00e9 sem consequ\u00eancias. 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